A Estratégia Do Cavalo
“Motivar” é entender os “motivos” pelos quais as coisas acontecem. E como o Brasil, a Argentina e o Mercosul estão intimamente ligados, quero apresentar aqui os “motivos” que encontro na estratégia do ministro Cavallo. Que ninguém duvide. A estratégia do ministro argentino Domingo Cavallo é clara: quer – o mais rapidamente possível – incompatibilizar-se com o Presidente De La Rúa. Com isso, o presidente argentino terá que assumir sua verdadeira posição e demiti-lo. O ministro Cavallo sairá como o herói incompreendido que se tivesse ficado “salvaria a Argentina” (sic) do caos que inevitavelmente ele mesmo (Cavallo) a meteu com a lei de conversibilidade há anos atrás.
Essa conclusão é óbvia. O ministro Cavallo está desautorizando o Presidente De La Rúa em todos os seus pronunciamentos – a maioria deles no exterior – uma vez que ele (Cavallo) parece não parar um dia sequer na Argentina. Está fazendo a maior pirotecnia política já vista. Criou uma “cesta de moedas” que todos sabem ser uma farsa, sem conseqüência prática alguma. Desautoriza o presidente argentino falando contra o Mercosul em todos os pronunciamentos. Vem ao Brasil e vai à Europa e Estados Unidos e se comporta como o mandatário chefe da Argentina – seu maior desejo, inconfesso.
Ele sabe que a Argentina não terá saída sem remédios muito amargos. Muito mais amargos do que já experimentou no passado. O problema argentino é um problema de competitividade e produtividade. A indústria está sucatada. O nível de aspiração do povo é muito acima do nível de aptidão – o que a economia pode oferecer. Como dizer ao argentino que agora ele é “pobre” é uma tarefa dolorosa e quase impossível.
Saindo como vítima da incompreensão de suas soluções mirabolantes para um problema concreto, Domingo Cavallo deixará a Argentina afundar e voltará em seguida, como o “salvador da pátria” – candidato a presidente e aí terá – pelo desespero da população – os poderes que tanto deseja como um novo caudilho argentino. Tudo no mais típico estilo portenho....
A economia da Argentina equivale hoje à do interior do Estado de São Paulo e não fez sua lição de casa nestes últimos 30 anos. Viver do passado e não enfrentar com seriedade os problemas presentes, é fatal para países, empresas e pessoas.
Pense nisso.Boa Semana. Sucesso!

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